O abismo em que me encontro está cada vez maior, porque de vez em quando eu posso ver um ponto de luz, que se apaga depois de 3 segundos. Nunca será a mesma coisa, depois que caí aqui, tudo desmoronou, esqueci da minha identidade e de tudo que sentia.
No lugar do meu antigo coração o abismo se tornou mais forte, nada mais faz um certo sentido, afinal, as coisas que falo já não são tão profundas quanto as antigas. Porque eu já não sinto mais nada, já não sinto o calor do meu próprio corpo, nem sinto mais meu próprio coração bater. De vez em quando ouço uma pequena voz me encorajando á levantar, ela é apagada com o tempo.
Sou suja por ter me acostumado com isso, por ter me acostumado com tudo que me cercou e me prendeu aqui. Eu própria me esfaqueei, me apunhalei pelas costas, porque sempre foi assim que eu vivi; me apunhalando e me machucando, culpando os outros por isso. Fui um doce sacrifício que serviu, para acalmar a dor de todos, menos á minha.
Achava que poderia ser feliz vendo a felicidade dos outros indivíduos e descobri com o gosto mais amargo do abismo que não é a verdade. Andando meio sem destino, vagando pelos lugares escuros desses lugares, minhas antigas memórias, minhas antigas frases, se encontram por aqui, flutuando e boiando em meio á tanta escuridão. Errei por acreditar, por ter esperanças e por me apegar.
Com o passar dos dias me pergunto se ainda vou lembrar do seu nome, se ainda me lembrarei do seu rosto, porque essas são as únicas coisas que eu ainda não esqueci. Oh, querida inocência, você não está aqui comigo agora; oh, querida lembrança, você me persegue onde eu vou; oh, querida saudade, você quebra meu peito sem dó.
Tomo cuidado entre os estreitos caminhos que pego, afinal, tomei muitas decisões erradas. Será que alguém pode me ouvir? Ou aqui é fundo demais para que eu possa ser salva? Eu já não sinto meu corpo, já não sinto meu sangue correndo pelas veias, meu coração não pulsa mais, porque ele não tem mais razões. Percebo então, morri. Morri dentro de mim mesma, porque o abismo era meu coração, já tão quebrado, tão amargo, tão estraçalhado e cinza, escuro. O resultado de tantos choros, dor, humilhação, depressão, sou eu; agora é claro, caída no chão, sem nenhuma reação, pele pálida, nenhum piscar de olhos, sangue frio e repetindo com últimas forças.
“Teria sido perfeito...”
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