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 Book I - Chapter I - Part III
- Será que dá para vocês calarem a boca? O meu violino está desafinado e eu preciso de silêncio. – O mesmo garoto olhou frio para Mandy e fechou o vidro da janela. Matt e Mandy ficaram calados depois dessa interjeição, ela virou sua face pálida para a janela que refletiu a luz do sol, seu rosto brilhou.
  Matt olhou para ela disfarçadamente e viu sua expressão de receio, os seus olhos ainda estavam inchados, sua boca partida e seu braço e perna engessados. Ele então percebeu, que desde o momento que a conheceu só a fez sofrer, ele se sentiu culpado por isso e também lembrou que ela não sorrira nenhuma vez. A limusine parou e Mandy olhou para a mansão que estava em frente a ela.
- Chegamos... – Disse Matt de cabeça baixa. Ela olhou para ele e falou pedindo desculpas:
- Eu quero... Ir para casa. – Nessa hora o chofer abriu a porta e ela viu o garoto que estava com o violino na mão andando em direção a mansão. Ela colocou o seu pé ileso no chão e se apoiou na limusine. Matt saiu do carro e a carregou nos braços, ela não falou nada, afinal ela sabia que não estava em condições de intervir. Ela soltou um som abafado pelo casaco rasgado que ela carregava.
- Quem era... Aquele? – Ele olhou para ela hesitando em falar. Mas sua expressão depois deixou de ser tensa e ele falou:
- Aquele é meu irmão, ele é dois anos mais velho que eu, toca violino muito bem é grosso, rude, estúpido, frio e sempre foi o preferido da família. O nome dele é Drake. – Ela não demonstrou nada ao ouvir isso, apenas tapou o sol com a mão para que este não cegasse seus olhos. Uma jovem vestida adequadamente andava calmamente pelo jardim trazendo um par de muletas em sua mão. Mandy apenas conseguia ver a silhueta da linda mulher que andava em sua direção e na de Matt.
- Aqui está querida. Parece que está muito machucada, o Drake me disse que você estava aqui. – Matt pegou a muleta e colocou as mãos de Mandy na mesma com delicadeza. Ela se segurou para não cair e andava enquanto observava aquela bela garota, olhos azuis cristalinos, cabelo dourado que cintilava com a luz do sol, pele branca, mas não pálida, um corpo bem formado e a boca e as bochechas rosadas.
“Seria a namorada de Matthew ou de Drake?” Mandy pensou por um segundo, mas depois voltou à realidade. Elas entraram na casa e Mandy se sentou.
- Bem aqui estamos, sente-se... Perdão, qual seu nome?
- Mandy. – A garota de olhos azuis deu um sorriso radiante, porém Mandy não retribuiu. Ela nem sequer demonstrou alguma surpresa ao ver o tamanho da casa. Geralmente Mandy não demonstrava nenhum afeto, sentimento, nem nada que pudesse demonstrar que ela era mesmo uma humana. Sua pele pálida chamava atenção naquela enorme sala cor pastel, Matt assim que entrou na sala partiu para as apresentações:
- Essa é minha irmã Emilie e este é o Drake meu irmão que você já conheceu. – Mandy permaneceu com sua expressão melancólica.
- Você quer água? – Perguntou Emilie fitando os olhos caramelo de Mandy.
- Sim, por favor.
- Olha finalmente ela falou. – Debochou Drake com cara fechada. Mandy ignorou o que ele falou e mexeu na mochila a procura de alguma coisa. Até que achou o seu livro de matemática.
- Mandy, você vai fazer sua lição agora? – Emilie voltou com o copo de água e Mandy o bebeu, Matt ainda esperava a resposta. Quando Mandy terminou, olhou para Matt e disse:
- Eu vou para casa, obrigada por tudo. – Ela se levantou sem a muleta, pegou sua mochila e com dificuldade foi até a porta.
- Espere você não pode sair sozinha e sem a muleta. – Mandy ignorou a interjeição de Matt.
- Deixe-a ir Matthew, ela é forte o bastante. – Disse Emilie, provavelmente admirando a quantidade de orgulho e peso que aquela garota carregava nas costas. Agora deixemos de narrar a ida de Mandy para casa, vamos ver o que aconteceu na casa do Matt, afinal, o importante era entender como era a vida do tal garoto.
- Essa garota... Não é uma boa pessoa – Disse Drake com o seu violino na mão, desdenhando do que não estivesse ligado ao mesmo.
- É claro que é. Quem é você para falar dela? Tão frio, estúpido, calculista e grosseiro. Você sim, não é uma boa pessoa. – Disse Matthew com os nervos à flor da pele.
- Podem se acalmar? Sabem o que eu penso de brigas – Emilie disse com uma voz elevada, mas calma.
- Quem está tentando enganar Matthew? Está na cara que não consegue se controlar, por dentro você sempre será um monstro. – Drake andou calmamente até a porta tocando seu violino.
Mandy andava com dificuldade pelas ruas, se apoiando nas paredes e em um relance tropeçou em uma pedra, caiu no chão e gritou de dor. Um garoto parou em sua frente e tentou ajudá-la.
- Siga... Seu caminho. – Disse ela não demonstrando nenhum agradecimento.
- Mas você está machucada.
- Não importa, siga seu caminho.
- Está doendo? – Ele perguntou.
- Só um pouco.
- Então porque você não chora? – Mandy não demonstrou em sua expressão, mas ela estava confusa naquele momento.
- Lágrimas... São inúteis. – Ela disse com rispidez.
- Como assim?
- Elas vão aparecer no momento em que você menos esperar e demonstrar o quão fraco você é. Agora, vá embora.
- Mas...
- Vá embora, por favor – O garoto olhou para Mandy pela última vez e saiu andando. Ela saiu logo depois, se segurando pelas paredes, com os olhos baixos e só uma coisa na cabeça “Porque você não chora?” a pergunta do garoto rondava em sua cabeça. Ela se perguntava o porquê do garoto ter parado para ajudá-la.
- A inocência de uma criança, é uma coisa que nós jamais teremos de volta. – Ela falou consigo mesma e saiu andando até chegar em frente a um portão enferrujado e o abriu, então ela entrou numa casa velha e quase caindo aos pedaços.
- Mana, você sabe que horas são? Estou com fome, já passam das seis horas da noite, porque você chegou tão tarde? – Seu irmão a recebeu cheio de perguntas e cheio de fome. Seu irmão, a única pessoa que ela amava, a única pessoa que a amava, a última pessoa que lhe restava.
                                                                    ...

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